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quinta-feira, dezembro 08, 2011

A Borboleta

             Olavo Bilac



Trazendo uma borboleta,
Volta Alfredo para casa.
Como é linda!  É toda preta,
Com listas douradas na asa.

Tonta, nas mãos da criança,
Batendo as asas, num susto,
Quer fugir, por fim, cansa,
E treme, e respira a custo.

Contente, o menino grita:
É a primeira que apanho,
Mamãe vê como é bonita!
Que cores e que tamanho!

Como voava no mato!
Vou sem demora pregá-la
Por baixo do meu retrato,
Numa parede da sala.

Mas a mamãe, com carinho,
Diz: Que mal te fazia,
Meu filho, esse animalzinho,
Que livre e alegre vivia?

Solta essa pobre coitada!
Larga-lhe as asas, Alfredo!
Vê como treme assustada…
Vê como treme de medo…

Para sem pena espetá-la
Numa parede, menino,
É necessário matá-la:
Queres ser um assassino?

Pensa Alfredo…  E, de repente,
Solta a borboleta… 
E ela abre as asas livremente,
E foge pela janela.

Assim, meu filho! 
Perdeste a borboleta dourada,
Porém na estima cresceste
de tua mãe adorada…

Que cada um cumpra a sorte
Das mãos de Deus recebida:
“Pois só pode dar a Morte,
Aquele que dá a Vida

***